Passeios em Lisboa

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Lisboa são colinas sobre um rio tão largo que se lê como baía. A Baixa entre elas é plana e quadriculada: o terramoto de 1755 não deixou nada para guardar. Todo o resto é subida.

A cidade por altitude

  • Baixa — a malha pombalina posterior a 1755, a descer até à água na Praça do Comércio.
  • Alfama — o emaranhado por baixo do castelo, e o bairro que o terramoto quase poupou.
  • Chiado e Bairro Alto — teatros e livrarias de dia, copos na rua à noite.
  • Belém — seis quilómetros a poente: o mosteiro dos Jerónimos, a torre, o pastel.
  • Parque das Nações — o recinto da Expo, com um aquário e um teleférico.

O 28, e os elevadores que não andam

O 28 é uma carreira de horário certo que por acaso é famosa. Trate-o como transporte.

  • Compre antes de entrar. A bordo são 3,30 euros; num cartão Navegante a mesma viagem fica em cerca de 1,72, e o dia inteiro em 7,25.
  • Apanhe-o numa ponta. Vai de Martim Moniz a Campo de Ourique; a meio já só se entra de pé.
  • Confirme se está a circular. Há troços que passam a autocarro de substituição durante semanas enquanto a via está levantada.
  • Malas à frente. O aperto é exatamente aquilo de que os carteiristas vivem.
  • Os elevadores estão parados. A Glória, a Bica, o Lavra e o Santa Justa estão fora de serviço desde o descarrilamento da Glória, em setembro de 2025. Só o pequeno funicular da Graça reabriu.

Os miradouros ganham-se agora a pé. O da Senhora do Monte é o mais alto. Ao pôr do sol é uma multidão; às oito da manhã é seu.

Comer, beber e fado

  • Bica. Em Lisboa é assim que se pede um café curto, cerca de um euro ao balcão. Sentado custa mais, na esplanada mais ainda.
  • Imperial. A cerveja de pressão de 20 cl; uma caneca são 50 cl. Fino é a palavra do Porto, não esta.
  • O couvert. Pão, azeitonas e queijo chegam à mesa sem serem pedidos. Se ficarem intactos, voltam para trás e não se deve nada; a lei é essa.
  • Horas. O almoço vai da uma às três, e depois as cozinhas fecham até às sete. Os locais jantam às oito e meia, os bares fecham às duas e as discotecas vão até às quatro.
  • Fado. Classificado pela UNESCO em 2011 e cantado em silêncio; quem fala é convidado a sair. O fado vadio vive em casas pequenas de Alfama, não em salas com um autocarro à porta.

Sair da cidade

Quase tudo o que se reserva em Lisboa sai de Lisboa: de comboio, de carrinha ou de barco pelo Tejo abaixo.

  • Sintra — 40 minutos de comboio, e mais palácios do que cabem num dia. Marque primeiro a hora da Pena; o dia arruma-se a seguir.
  • Cascais e Estoril — a linha da praia, a partir do Cais do Sodré.
  • Arrábida e Setúbal — vinho, e a água mais limpa a menos de uma hora.
  • Évora — um templo romano e uma capela forrada a ossos, a noventa minutos para nascente.
  • Óbidos, Nazaré e Fátima — a vila murada, as ondas de inverno, o santuário.

Prático

  • Tempo. As máximas de verão ficam nos vinte e muitos graus, com vento do Atlântico quase todas as tardes. A chuva vem de outubro a março.
  • Do aeroporto. A linha vermelha do metro chega ao centro em vinte minutos por 1,90 euros; um táxi fica em 15 a 20.
  • As entradas gratuitas são para residentes. Os dias gratuitos nacionais exigem cartão de cidadão português, por isso os visitantes pagam. O Museu do Dinheiro, no antigo São Julião, é gratuito para todos.
  • Calçada. Os passeios são de calcário polido, e calcário molhado é uma pista de gelo.

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