Passeios em Marrocos

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Marrocos está disposto em faixas. O Atlântico desce por todo o flanco oeste; o Rif e o Mediterrâneo fecham o norte. O Médio Atlas e o Alto Atlas atravessam o meio, e por trás deles a terra seca até ao Saara.

A primeira decisão não é, por isso, o que ver, mas em que faixa dormir.

  • Marrakech — a base com mais movimento e o painel de partidas para a montanha e o deserto.
  • Fez e Mequinez — o par imperial mais antigo, corporações de artesãos e madraças, com a Volubilis romana entre as duas.
  • Rabat — a capital: uma kasbah sobre o estuário e um minarete que ninguém acabou.
  • Casablanca — a cidade que trabalha e o aeroporto principal, com a mesquita Hassan II sobre a água.
  • Tânger e Chefchaouen — o norte: a Espanha à vista do outro lado do estreito e uma vila pintada de azul no Rif.
  • Essaouira e Agadir — o Atlântico: vento e muralhas numa, praia abrigada e invernos amenos na outra.
  • O Alto Atlas — aldeias berberes, o Toubkal a 4.167 m, neve nos passos de montanha desde dezembro.
  • Merzouga e Zagora — as duas entradas no deserto, as dunas altas do erg Chebbi ou a corrida pedregosa até ao erg Chegaga.

As distâncias são a armadilha. De Marrakech a Fez é um dia inteiro de estrada, sete horas de comboio. Merzouga fica a 560 km de Marrakech, e é por isso que o deserto se vende em dias e não em horas.

As medinas são o que quase toda a gente vem ver, e estão trabalhadas mais do que conservadas. Curtidores, tintureiros e caldeireiros ainda ocupam as suas ruas. Um guia é a diferença entre comprar e perceber. As aulas de cozinha começam numa banca do mercado.

O ar livre é a outra metade. O Alto Atlas dá caminhadas de um dia a partir de Imlil e uma subida de dois dias ao Toubkal. O Atlântico dá água fria e as ondas a norte de Agadir. O deserto é outra compra ainda: deslocações longas em 4x4, uma hora de camelo ao anoitecer, uma noite debaixo de lona.

Quase tudo se vende em duas formas. Um lugar numa carrinha partilhada custa mais ou menos o que custa um bom jantar. Um carro privado vale várias vezes isso, e arranca à hora que se quiser.

Prático

  • Estações. A melhor altura para visitar Marrocos é a primavera ou o outono. No interior, o verão passa dos 38 graus em julho e agosto, enquanto a costa fica pelos vinte e tal. O inverno traz chuva ao Rif, neve ao Alto Atlas e noites de deserto perto de zero.
  • Ramadão. O mês avança onze dias mais cedo a cada ano. Os cafés da medina fecham de dia, os restaurantes de hotel não, e come-se todos ao pôr do sol.
  • Dinheiro. O dirham é uma moeda fechada, por isso não se pode comprar antes de aterrar. Nos souks manda o numerário; os cartões funcionam em hotéis e cadeias.
  • Entre cidades. O comboio liga Tânger, Rabat, Casablanca, Fez e Marrakech; a linha rápida faz Tânger-Casablanca em duas horas. Tudo o resto é um autocarro da CTM ou da Supratours, ou um carro com motorista.
  • Gorjetas. Arredondar nos cafés, cinco a dez por cento nos restaurantes, alguns dirhams para quem vigia o carro.
  • Guias. Os licenciados trazem um distintivo; os homens que esperam às portas da medina não, e a visita deles acaba numa loja.
  • Mesquitas. Aqui os não muçulmanos não entram nas mesquitas em funcionamento, sendo a Hassan II de Casablanca a única grande exceção.

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