Passeios em Madrid

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Madrid fica a 650 metros, e a altitude nota-se no tempo que faz. Não tem mar nem um rio a sério. O que tem é a corte, a pintura e as horas tardias.

O centro a pé

O núcleo antigo é plano e atravessa-se em meia hora.

  • Puerta del Sol. A laje do Quilómetro Zero, de onde arrancam as seis estradas de Espanha.
  • Plaza Mayor. Fechada em 1619 e usada à vez para mercados, touradas e execuções.
  • O Palácio Real. Cerca de 3.400 divisões, o maior da Europa ocidental. O rei vive noutro sítio.
  • La Latina e Lavapiés. Terra de tascas, e o chão que o Rastro ocupa aos domingos.
  • O Retiro. O antigo jardim real, com um lago de remar e um pavilhão de vidro.

O Prado como deve ser

Três museus ficam a quinze minutos a pé, no Paseo del Prado. O Prado tem cerca de oito mil pinturas. Expõe uma fração, sem ordem evidente.

  • As horas gratuitas. A entrada é livre nas duas últimas. Ponha-se na fila às quatro e meia, não às seis, e deve estar lá dentro pelas cinco e um quarto, com hora e meia que é mesmo sua.
  • Sombra no verão. Naquele passeio não há nenhuma. Leve boné, ou um guarda-chuva para se pôr debaixo: o calor é o obstáculo a sério.
  • Escolher dois pintores antes de ir. Velázquez e Goya, salvo razão em contrário. Veja as salas deles, vá direto a um e depois ao outro. Vaguear só depois disso.
  • O último quarto de hora. O pessoal começa a esvaziar as salas quinze minutos antes de fechar.

Se vaguear primeiro, vai perder aquilo por que veio. O edifício é grande demais para uma só passagem. Se os quadros são o motivo, venha duas vezes.

O Reina Sofía guarda a Guernica e fecha às terças.

A comida e a madrugada

Almoça-se às duas e janta-se às nove ou às dez. Um bar que lhe oferece jantar às sete é uma armadilha para turistas. Siga em frente.

  • O pequeno-almoço é a refeição barata. Tortilha com café, ou uma sandes quente de presunto com churros, dá cinco euros e muitas vezes menos, a partir das oito da manhã. Madrid não é a cidade onde se pagam quinze por ovos escalfados.
  • As noites. A cidade aguenta até às seis da manhã todas as noites menos à segunda, e depois há quase sempre um after. Códigos de vestuário quase não existem e ninguém está a posar. Duas da manhã numa terça não dá nas vistas.

Para onde saem os dias fora

  • Toledo. Vila murada num monte, com catedrais, sinagogas e mesquitas, a meia hora para sul de comboio rápido.
  • Segóvia. Um aqueduto romano de 167 arcos que se aguenta sem argamassa. Os balões sobem ao amanhecer.
  • El Escorial. O mosteiro-palácio de Filipe II, normalmente combinado com Cuelgamuros.
  • Mais longe, de comboio. Sevilha, Córdova e até Barcelona fazem-se de ida e volta no mesmo dia.

Prático

  • Clima. O dito local dá a Madrid nove meses de inverno e três de inferno. Em julho as tardes passam dos 35 °C.
  • Do aeroporto. São 33 euros fixos de táxi dentro do anel da M-30. O metro custa uma fração disso.
  • Cerveja. Uma caña é o copo pequeno, uns 200 ml, bem abaixo dos dois euros. Uma doble é o dobro, e anda pelos dois euros.
  • Horas gratuitas. Quase todos os museus daqui têm as suas. Madrid gosta de um desconto, e montar o dia à volta delas é o normal.
  • Reservar. Os horários do Palácio Real, as mesas de flamenco e os comboios para Toledo ao fim de semana esgotam primeiro.

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