Passeios em Espanha

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A Espanha é menos um país do que meia dúzia, e a primeira decisão é a qual se vai. Barcelona ancora o nordeste, com Montserrat a uma hora para o interior e as enseadas da Costa Brava a uma hora pela costa acima. Madrid fica mesmo ao centro, perto o bastante de Toledo, Segóvia e Ávila para que qualquer uma caiba numa tarde. A Andaluzia é o sul: Sevilha, Córdova e Granada formam um triângulo que se percorre entre o pequeno-almoço e o jantar, com Málaga, Nerja e as aldeias brancas de Ronda e Frigiliana por baixo. Valência e Alicante seguram a costa leste. Depois as ilhas: Maiorca, com Palma, Valldemossa e Sóller sob a crista da Tramuntana; Ibiza e Formentera; e as Canárias — Tenerife, Grã-Canária, Lanzarote, Fuerteventura —, mais perto de África do que de Madrid e com clima próprio.

O que fazer em Espanha organiza-se por apetite, não por mês. Primeiro os monumentos: a Alhambra, a Sagrada Família, a Mesquita de Córdova, o Alcázar de Sevilha — todos melhores com quem os saiba explicar, todos mais cheios do que se espera. A comida é a segunda razão e costuma ultrapassar a primeira: rotas de tapas que acabam em jantar, adegas na Rioja e no Penedès, paella cozinhada onde cresce o arroz, na Albufera de Valência. O ar livre é costeiro e vulcânico, não alpino: velejar de Palma e de Ibiza, o canal das baleias ao largo do sul de Tenerife, a cratera do Teide sob um céu escuro o bastante para observatórios. E o que só resulta aqui: flamenco num pequeno tablao de Sevilha, uma noite que começa às dez.

Tudo o que escolher existe em duas versões, e a diferença está na companhia, não no conteúdo: um lugar em grupo — no barco, no autocarro para Montserrat — ou o mesmo dia em privado, com um guia que espera enquanto se demora, por várias vezes o preço. Os grupos pequenos de oito ou dez ficam pelo meio.

Prático. É a alta velocidade que torna viável a viagem a duas cidades: Madrid–Barcelona, ou Madrid–Sevilha, são cerca de duas horas e meia de centro a centro; as ilhas são um voo, não uma ida e volta no dia. O tempo divide o país tanto como a geografia — o interior da Andaluzia passa dos 40 °C em julho e agosto, por isso visita-se cedo e ao fim do dia e o meio-dia dá-se por perdido; a costa norte é verde porque lhe chove em cima; as Canárias andam pelos 20 °C em janeiro e têm época alta no inverno. O dinheiro rende mais do que na maior parte da Europa ocidental: um café ao balcão são um ou dois euros, a ementa do dia fica por 12 a 15 com vinho incluído, e uma cerveja custa menos do que uma água engarrafada no café de um museu. A gorjeta não é um sistema — arredonda-se, deixam-se as moedas, 10% só por algo mesmo bom. Há táxis de tarifa fixa dos aeroportos de Madrid e Barcelona ao centro por 30 a 40 euros; o metro faz o mesmo mais depressa. Reserve a Alhambra e a Sagrada Família antes de tudo o resto. E acerte o relógio: almoça-se às duas, janta-se raramente antes das nove, nas vilas as lojas ainda fecham à tarde, e os passeios são construídos à volta disso.

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